BIM na obra brasileira: onde economiza de verdade e onde vira custo
Adotar BIM sem processo por trás troca um problema conhecido por um caro. O ganho aparece na compatibilização, não no software.
O BIM entrou de vez na pauta da obra brasileira, empurrado inclusive pelo Decreto 10.306 de 2020, que tornou o uso exigência progressiva em obras públicas federais de maior porte. O risco, agora, é confundir a ferramenta com o resultado. Comprar software e contratar modelador não entrega BIM; entrega arquivo tridimensional caro.
O ganho que paga o investimento está na compatibilização. Quando as disciplinas convivem no mesmo modelo, o conflito entre a viga e o duto, entre a tubulação e a esquadria, entre o eletrocalha e a estrutura aparece na tela, antes de virar quebra-quebra na obra. Antecipar esse conflito é onde o BIM devolve dinheiro, porque interferência resolvida no projeto custa uma fração do que custa resolvida no canteiro.
Onde o modelo vira custo
O BIM vira custo quando é adotado sem processo. Modelo sem padrão de nomenclatura, sem nível de desenvolvimento definido e sem alguém responsável por coordenar a federação das disciplinas produz um arquivo que ninguém confia e que a obra ignora. Nesse cenário a equipe faz o projeto duas vezes, no modelo e no jeito antigo, e paga a conta dobrada.
Outro custo silencioso é a expectativa mal calibrada. Espera-se que o modelo gere quantitativo perfeito e cronograma automático desde o primeiro dia, e a frustração aparece quando o dado sai inconsistente porque o modelo não foi construído para extrair aquilo. BIM entrega o que foi modelado com disciplina, não o que se imagina que ele faria sozinho.
O que faz a adoção valer
A adoção que compensa começa pequena e com objetivo claro. Definir para que serve o modelo naquele contrato, compatibilização, quantitativo, planejamento, e modelar apenas o necessário para esse fim evita o excesso que encarece sem retorno. Padrão escrito, equipe treinada e um coordenador com autoridade para barrar disciplina fora do padrão são o que transforma o investimento em economia.
O resumo é desconfortável para quem vende BIM como solução mágica. A tecnologia não conserta processo ruim, ela expõe. Onde há gestão de projeto, o BIM multiplica o resultado; onde não há, ele apenas encarece a bagunça e a deixa em três dimensões.
Leia também
AutoCAD vs Revit: quando usar cada um na engenharia
AutoCAD desenha, Revit modela; a escolha depende de você entregar pranchas 2D ou um modelo BIM que carrega informação.
Interoperabilidade BIM: por que o formato IFC importa no projeto
Interoperabilidade BIM é a capacidade de diferentes softwares trocarem modelos sem perder informação; o IFC é o formato aberto que permite essa troca.
Fonte: Giro Engenharia

Residência em Campos do Jordão reutiliza estrutura existente
Gil Mello Arquitetura realizou reforma total que preservou paredes, fundações e lajes, otimizando recursos e prazo.
Fonte: Archdaily Brasil
Fórmula de Blondel e dimensões de degrau de escada
A fórmula de Blondel liga piso e espelho para que dois espelhos mais um piso fiquem em torno de 63 a 64 cm.
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias que importam para quem é da engenharia, uma vez por semana. Sem spam.
