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Energia· 06 de outubro de 2026· 2 min de leitura

China ativa usina de 660 MW para blindar parque solar no deserto

Nova unidade térmica em Zhongwei estabiliza base de 13 GW de energia renovável e alimenta linhão de alta tensão até Hunan.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
China ativa usina de 660 MW para blindar parque solar no deserto

A China colocou em operação comercial uma nova unidade geradora de 660 MW na cidade de Zhongwei, localizada na Região Autônoma da Mongólia Interior e na borda do deserto de Tengger. O equipamento foi projetado para atuar como suporte de estabilidade de rede para um gigantesco complexo de energia solar e eólica de 13 GW instalado na região árida.

A intermitência típica das fontes renováveis exige fontes despacháveis de base para evitar oscilações severas na transmissão. A nova unidade termelétrica entra justamente para garantir o suporte síncrono e a inércia na rede elétrica, assegurando que o polo de geração limpa opere sem quedas bruscas de frequência.

A energia gerada no complexo do deserto de Tengger não fica retida na região de produção. Ela é escoada por meio de um sistema de transmissão em corrente contínua de ultra-alta tensão, conhecido pela sigla UHVDC, projetado para vencer grandes distâncias até centros industriais e de consumo.

A infraestrutura de transmissão conecta diretamente o deserto da Mongólia Interior até a província de Hunan, localizada no centro-sul chinês. O corredor de energia permite transferir megawatts limpos por milhares de quilômetros com perdas controladas.

Impacto na engenharia de redes

Projetos dessa escala exigem coordenação rigorosa entre a engenharia de geração renovável e a engenharia de transmissão de potência. A combinação de grandes blocos solares com unidades térmicas de apoio é a estratégia adotada pelo setor elétrico chinês para viabilizar a transição energética sem comprometer a confiabilidade do SIN local.

A entrada em operação comercial da unidade em Zhongwei reduz o risco de curtailment, que é o desperdício de energia gerada quando a rede não suporta receber o volume. Para gestores de infraestrutura elétrica, o modelo consolida a necessidade de centrais híbridas e suporte rotativo em sistemas com alta penetração de fontes intermitentes.

Com informações de CPG Click Petróleo e Gás.

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