CNI: 0,1 °C a mais no clima custa R$ 5,6 bi e exige adaptação industrial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou um guia com recomendações para setores industriais se adaptarem aos riscos climáticos, alertando para o custo econômico do aquecimento global e o aumento de desastres no Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira (9) o Guia de Adaptação Climática, documento que apresenta recomendações práticas para fortalecer a resiliência das cadeias de valor em setores como óleo e gás, alimentos e têxtil. A iniciativa visa preparar a indústria brasileira para os impactos crescentes das mudanças climáticas, que já se manifestam em eventos extremos mais frequentes e severos.
Segundo alerta da CNI, cada aumento de 0,1 °C na temperatura global pode gerar um custo de R$ 5,6 bilhões ao Brasil. Esta projeção sublinha a urgência de medidas adaptativas e preventivas para mitigar perdas econômicas e sociais decorrentes de fenômenos climáticos extremos.
O Guia de Adaptação Climática detalha estratégias e ações que as empresas podem adotar para identificar vulnerabilidades, planejar respostas e implementar soluções que protejam suas operações e infraestruturas. O foco em setores específicos demonstra a necessidade de abordagens customizadas, considerando as particularidades de cada cadeia produtiva.
Os avanços dos eventos extremos já são uma realidade nas estatísticas nacionais. Dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) revelam que, entre 1991 e 2023, o Brasil registrou mais de 64 mil desastres relacionados ao clima, um número que evidencia a escalada do problema ao longo das últimas décadas.
A aceleração desses eventos é ainda mais notável em um período recente. Somente entre 2020 e 2023, o país contabilizou mais de 16 mil ocorrências, o que representa uma média próxima de 4 mil registros anuais. Essa frequência crescente impõe desafios significativos para a infraestrutura existente e o planejamento de novos empreendimentos.
Para engenheiros, gestores e decisores de infraestrutura, as conclusões da CNI reforçam a necessidade de integrar a análise de riscos climáticos em todas as etapas de projeto e execução. A resiliência de edificações, redes de transporte, sistemas de energia e saneamento deve considerar cenários de aquecimento e eventos extremos, exigindo investimentos em materiais mais robustos, técnicas construtivas adaptadas e planejamento territorial que minimize vulnerabilidades. Ignorar esses alertas pode resultar em custos exponenciais de reparo e reconstrução, além de interrupções severas em serviços essenciais e na produção industrial.
Com informações de Caderno de Negócios CBIC.
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