Como calcular a carga térmica para dimensionar o ar-condicionado
A carga térmica soma o calor que o ambiente ganha pela envoltória, pelo sol, pelas pessoas e pelos equipamentos, medida em BTU por hora.
A carga térmica é a quantidade de calor que o ambiente ganha e que o ar-condicionado precisa retirar para manter a temperatura desejada. Ela se mede em BTU por hora e sai da soma de várias fontes de calor: a área e o volume do ambiente, a insolação pelas janelas, o número de pessoas, os equipamentos ligados e a iluminação. Você soma essas parcelas e escolhe um aparelho com capacidade igual ou um pouco acima do total.
O que entra na carga térmica
Comece pelo tamanho do ambiente. Área e pé-direito definem o volume de ar a resfriar, e esse é o ponto de partida. Um cômodo maior, com tudo mais igual, pede mais capacidade. Mas o tamanho sozinho não decide, porque dois cômodos iguais podem ter cargas bem diferentes conforme o resto.
A insolação pesa muito. Uma parede ou janela voltada para o sol da tarde deixa entrar muito mais calor do que uma face sombreada, e por isso a orientação e a área envidraçada mudam a conta. Some as fontes internas: cada pessoa dissipa calor, e computadores, televisores, fornos e iluminação também aquecem o ambiente. Ambientes com muita gente ou muitos equipamentos, como cozinhas e salas de reunião, têm carga alta mesmo sendo pequenos.
Como estimar
O método correto soma parcela por parcela. Você estima o ganho pela envoltória, ou seja, paredes, teto, piso e vidros, com base na área, na orientação e na diferença de temperatura entre fora e dentro. Depois soma o ganho das pessoas, dos equipamentos e da iluminação. O total, em BTU por hora, é a carga que o aparelho precisa vencer.
Como exemplo do raciocínio, um quarto pequeno com uma pessoa e pouca insolação tem carga baixa, enquanto uma sala grande, ensolarada e cheia de gente pode exigir várias vezes mais capacidade. Existem estimativas rápidas que dão uma faixa de BTU por metro quadrado, úteis para um primeiro chute, mas elas ignoram insolação e cargas internas, então servem só como ordem de grandeza. Para um dimensionamento confiável, use o cálculo por parcelas ou uma norma de conforto térmico.
Do cálculo ao aparelho
Escolha um equipamento com capacidade igual ou levemente acima da carga calculada. Aparelho subdimensionado trabalha o tempo todo no máximo, não atinge a temperatura em dias quentes e gasta mais tentando dar conta. Superdimensionar também tem custo: o aparelho resfria rápido, desliga cedo e não retira bem a umidade, deixando o ambiente frio e abafado, além de custar mais caro na compra.
Pense também no consumo de energia, que é a razão de dimensionar direito. Um aparelho bem escolhido para a carga real, e de boa eficiência, resfria com menos gasto. Considere a etiqueta de eficiência e a tecnologia do compressor na hora de comparar modelos de mesma capacidade. A carga térmica define o tamanho; a eficiência define quanto ele pesa na conta de luz, então confira as duas coisas.
Perguntas frequentes
Dá para dimensionar só pela metragem do ambiente?
Serve como estimativa grosseira. Faixas de BTU por metro quadrado dão uma ideia inicial, mas ignoram insolação, número de pessoas e equipamentos, que mudam muito a carga. Para acertar, some as parcelas de calor do ambiente em vez de usar só a área.
O que acontece se o aparelho for maior do que o necessário?
Ele resfria rápido e desliga cedo, sem tempo de retirar a umidade do ar. O ambiente fica frio e abafado, o compressor liga e desliga demais e o custo de compra sobe sem ganho. Nem sempre maior é melhor.
A insolação muda tanto assim a conta?
Muda bastante. Janelas grandes voltadas para o sol da tarde admitem muito calor, o que pode dobrar a carga em relação a um ambiente igual, porém sombreado. Por isso a orientação e o sombreamento entram no cálculo, não só o tamanho.
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