Guia: Como Funciona um Aterro Sanitário e o Que é Gás de Aterro
Entenda o processo de disposição final de resíduos sólidos em aterros sanitários e a formação do gás de aterro, um subproduto com potencial energético.
Um aterro sanitário funciona como um sistema controlado para a disposição final de resíduos sólidos urbanos, minimizando os impactos ambientais e à saúde pública. O processo envolve a compactação do lixo em camadas e sua cobertura diária com terra ou material similar. Essa metodologia visa isolar os resíduos do meio ambiente, impedir a proliferação de vetores (como ratos e insetos) e reduzir a emissão de odores desagradáveis.
O projeto de um aterro sanitário segue normas técnicas rigorosas, como a NBR 13809, que estabelece diretrizes para sua construção e operação. Um componente crucial é o sistema de impermeabilização da base, geralmente composto por camadas de argila e geomembranas, para evitar a contaminação do solo e das águas subterrâneas pelo chorume, o líquido escuro e altamente poluente gerado pela decomposição da matéria orgânica.
Coleta e Tratamento do Chorume
O chorume coletado é direcionado para uma estação de tratamento específica. Dependendo da sua composição e do volume, ele pode ser tratado para reúso em processos internos do próprio aterro (como umidificação do lixo) ou, após o devido tratamento, ser descartado em corpos hídricos licenciados ou na rede de esgoto, conforme a legislação ambiental.
Formação e Aproveitamento do Gás de Aterro
Durante a decomposição anaeróbica (sem a presença de oxigênio) da matéria orgânica no aterro, é gerado o gás de aterro, também conhecido como biogás. Este gás é composto predominantemente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), com traços de outros compostos. O metano é um gás de efeito estufa potente, e sua liberação descontrolada agrava o aquecimento global.
Por isso, aterros sanitários modernos possuem sistemas de drenagem de gás, compostos por tubulações verticais e horizontais que captam esse biogás. O gás coletado pode ser queimado em flares para converter o metano em CO2 e água, reduzindo seu potencial de aquecimento global. Em aterros de maior porte e com condições adequadas, o biogás pode ser captado, purificado e utilizado para gerar energia elétrica ou térmica, transformando um passivo ambiental em um recurso.
Perguntas frequentes
O que é essencial em um aterro sanitário?
Um aterro sanitário eficiente requer um sistema robusto de impermeabilização para proteger o solo e as águas subterrâneas, um sistema de coleta e tratamento de chorume para gerenciar o líquido percolado, e um sistema de drenagem e captação de gás para controlar as emissões e, se possível, aproveitá-lo energeticamente.
Qual a diferença entre um aterro sanitário e um lixão?
A principal diferença reside no controle ambiental e na engenharia. Lixões são depósitos a céu aberto, sem qualquer controle de impermeabilização, chorume ou gás, causando severa contaminação. Aterros sanitários são projetados e operados seguindo normas técnicas para minimizar esses impactos, com células de disposição controladas e sistemas de monitoramento.
O gás de aterro é perigoso?
O gás de aterro, em si, não é diretamente perigoso para contato, mas sua composição o torna um risco. O metano é inflamável e pode formar misturas explosivas com o ar. Além disso, o metano é um gás de efeito estufa com alto potencial de aquecimento global. Sua liberação descontrolada contribui para as mudanças climáticas.
É obrigatório captar o gás de aterro?
A obrigatoriedade da captação e tratamento do gás de aterro depende da legislação local e do porte do empreendimento. No entanto, é uma prática cada vez mais exigida e recomendada para mitigar os impactos ambientais e explorar o potencial energético do biogás, alinhando o aterro a princípios de economia circular e sustentabilidade.
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