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Energia· 29 de junho de 2026· 2 min de leitura

Perda de energia renovável no Nordeste equivale a uma Itaipu

A restrição na geração de energia eólica e solar na região Nordeste atingiu um volume que se compara à capacidade de produção anual da Usina Hidrelétrica de Itaipu, evidenciando desafios na infraestrutura de transmissão.

Redação Giro Engenharia
Perda de energia renovável no Nordeste equivale a uma Itaipu

O Nordeste brasileiro tem enfrentado um volume expressivo de "curtailment" na geração de energia renovável, uma restrição que, em sua escala total, já equivale à capacidade de produção de uma usina como Itaipu. Este fenômeno, que consiste no despacho de energia abaixo da capacidade instalada, impede que o potencial eólico e solar da região seja plenamente aproveitado, gerando perdas significativas para o sistema elétrico nacional.

O curtailment ocorre quando a produção de energia, especialmente de fontes intermitentes como a eólica e a solar, excede a capacidade de escoamento da rede de transmissão ou a demanda do sistema em determinado momento. No Nordeste, a alta concentração de parques geradores, combinada com a limitação da infraestrutura de transmissão, leva a que parte da energia produzida seja simplesmente descartada.

A comparação com a Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo em geração de energia, dimensiona a gravidade da situação. O volume de energia não aproveitada representa uma parcela considerável do suprimento elétrico que o Brasil poderia ter de fontes limpas e renováveis, sem a necessidade de acionar termelétricas mais caras e poluentes.

As causas para este cenário são multifatoriais. A região Nordeste se tornou um polo de atração para investimentos em energias renováveis devido aos seus ventos constantes e alta irradiação solar. No entanto, a expansão da rede de transmissão não acompanhou o ritmo acelerado da instalação dos novos parques, criando gargalos que impedem a energia de fluir dos pontos de geração para os centros de consumo.

As consequências são sentidas em diversas frentes. Há um impacto econômico direto para os geradores, que deixam de vender energia já produzida. Para o país, significa a perda de um recurso estratégico, comprometendo a segurança energética e a transição para uma matriz mais limpa. Além disso, a ineficiência no uso da capacidade instalada pode desestimular novos investimentos no setor.

Para mitigar o problema, são urgentes investimentos em infraestrutura de transmissão. A expansão de linhas de alta tensão, a modernização de subestações e a implementação de sistemas de armazenamento de energia, como baterias em larga escala, são soluções cruciais para aumentar a flexibilidade e a resiliência da rede, permitindo que a energia renovável seja armazenada e despachada quando mais necessária.

Profissionais da engenharia, gestores e decisores de infraestrutura devem priorizar o planejamento integrado da expansão da geração e da transmissão. É fundamental que os projetos de novos parques sejam acompanhados por um robusto plano de escoamento, incorporando tecnologias de rede inteligente e soluções de armazenamento. Só assim o Brasil conseguirá capitalizar plenamente seu vasto potencial de energias renováveis, garantindo um suprimento energético eficiente e sustentável para o futuro.

Com informações de Poder360.

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