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Energia· 03 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Petrobras alerta que modelo do ONS pode multar térmicas do LRCap

Estatal aponta incompatibilidade no modelo Dessem e cobra revisão de critérios para evitar penalidades e exposição financeira em usinas do leilão de capacidade.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Petrobras alerta que modelo do ONS pode multar térmicas do LRCap

A Petrobras cobrou publicamente a revisão dos critérios aplicados no modelo computacional Dessem, operado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A petroleira sustenta que a metodologia de cálculo atual desconsidera os parâmetros e compromissos firmados pelas usinas térmicas que venceram o leilão de reserva de capacidade na forma de potência, conhecido como LRCap, com entregas previstas para 2026. Entre os ativos afetados está a usina térmica Três Lagoas, localizada no estado de Mato Grosso do Sul.

A divergência técnica entre a operação do ONS e as regras contratuais do leilão gera forte preocupação no setor elétrico. De acordo com a estatal, a forma como o modelo simula e programa a geração das térmicas pode induzir a falhas de disponibilidade que não refletem a realidade operacional dos ativos, culminando em sanções contratuais severas e pesada exposição financeira para os geradores.

O cerne da questão reside na rigidez dos algoritmos do Dessem em relação às rampas de acionamento e aos tempos de resposta exigidos das térmicas contratadas para garantir a segurança do suprimento nacional. Gestores e projetistas do setor energético acompanham o impasse, uma vez que a precisão desses modelos matemáticos dita o risco regulatório e econômico de investimentos bilionários em infraestrutura de geração.

Para o profissional que atua na ponta de planejamento e operação de ativos de energia, o conflito evidencia uma falha crônica na harmonização entre a modelagem computacional da operação e as diretrizes dos leilões de expansão do sistema. Quando a ferramenta do operador diverge das premissas de contratação, a segurança jurídica do empreendimento fica comprometida pelo risco de autuações imprevistas.

A resolução desse descompasso técnico exige do ONS uma calibragem urgente de seus programas de despacho para acomodar as especificidades técnicas das térmicas de reserva de capacidade. Caso contrário, o mercado enfrentará um cenário de insegurança jurídica e custos adicionais que podem se refletir nas tarifas e na viabilidade de futuros leilões de potência no país.

Com informações de MegaWhat.

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