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Construção· 15 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Cabana norueguesa usa abetos arrancados pela raiz em estrutura de engenharia

Escritório Helen & Hard substitui construção dos anos 1970 na costa da Noruega com projeto que emprega árvores inteiras como colunas estruturais.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Cabana norueguesa usa abetos arrancados pela raiz em estrutura de engenharia

O escritório de arquitetura e engenharia Helen & Hard concluiu a construção da Cabin Sande, um refúgio de 112 metros quadrados localizado em um promontório rochoso e protegido em Randaberg, na costa atlântica da Noruega. O projeto substitui uma antiga cabana construída na década de 1970, respeitando rigorosas restrições locais de planejamento urbano e ambiental que exigiam a manutenção exata da volumetria e da pegada da edificação anterior.

A principal inovação estrutural da obra reside no uso de abetos arrancados pelo vento, cujas raízes e troncos foram reaproveitados para formar colunas com formato orgânico que sustentam a cobertura e emolduram a paisagem marinha. A engenharia por trás desses elementos exigiu a seleção minuciosa de cada árvore, garantindo estabilidade mecânica e capacidade de carga para vencer os vãos livres da construção principal.

As restrições de zoneamento na região costeira norueguesa impediram qualquer ampliação horizontal, forçando o projeto a se adaptar estritamente aos limites do volume original. A fundação e a estrutura em madeira compensam a topografia acidentada do terreno rochoso, minimizando o impacto ambiental e a intervenção em áreas de preservação ecológica adjacentes.

A escolha por madeira de demolição local e árvores caídas reforça a busca por métodos construtivos de baixo impacto na engenharia residencial europeia. O processo de montagem exigiu técnicas manuais de encaixe para fixar os troncos ramificados, combinando carpintaria tradicional com elementos modernos de fixação metálica oculta.

Para engenheiros e projetistas, a execução demonstra a viabilidade de estruturas não padronizadas em ambientes costeiros severos, onde a ação da maresia e dos ventos fortes exige alta durabilidade dos materiais. A obra valida o uso de biomateriais brutos em estruturas portantes, desafiando a dependência exclusiva de perfis industriais padronizados de madeira laminada colada.

A entrega consolida o portfólio do Helen & Hard em construções sustentáveis de pequeno porte, servindo de referência para intervenções em áreas protegidas onde a legislação proíbe novas supressões de vegetação e limita drasticamente o uso de concreto e aço.

Com informações de Dezeen.

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