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Construção· 31 de agosto de 2026· 3 min de leitura

Como ler o memorial descritivo de uma edificação

O memorial descritivo diz o que será usado em cada parte da obra; veja como percorrer o documento por etapa e o que conferir.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Como ler o memorial descritivo de uma edificação

O memorial descritivo é o documento que diz do que a obra vai ser feita, parte por parte, enquanto a planta mostra onde e com que forma. Se a planta desenha uma parede, o memorial informa se ela é de bloco cerâmico ou de concreto, com que revestimento e que pintura. Ler o memorial é percorrer a obra no papel, do alicerce ao acabamento, conferindo o padrão prometido em cada etapa.

Para que ele serve O memorial funciona como a ficha técnica da construção e costuma ter valor contratual. Quando ele especifica um piso de determinada classe ou uma tinta de determinado tipo, aquilo passa a ser o que você tem direito de receber. Sem esse documento, cada dúvida de material vira discussão de palavra contra palavra.

Por isso vale ler o memorial junto com o projeto e com a planilha de orçamento. Os três precisam contar a mesma história: o que o desenho posiciona, o memorial descreve e a planilha precifica. Divergência entre eles é o primeiro sinal de que algo precisa ser esclarecido antes de assinar.

Como percorrer o documento O memorial costuma seguir a sequência construtiva. Começa pelos serviços iniciais e fundação, descrevendo tipo de fundação e concreto. Passa pela estrutura, indicando se é concreto armado, alvenaria estrutural ou outra técnica. Segue pela alvenaria e pela cobertura, com o tipo de bloco e de telha.

Depois entram os acabamentos, e é aqui que mora a maior parte das brigas: revestimentos de piso e parede, forro, pintura, esquadrias de portas e janelas, louças e metais dos banheiros. As instalações elétricas e hidrossanitárias aparecem com o padrão de fios, tubos e peças. Leia cada trecho perguntando se ficou claro o material, o padrão e onde ele se aplica.

O que conferir de perto Desconfie de descrições vagas como material de primeira qualidade ou similar sem referência, porque abrem espaço para trocar por algo inferior. O bom memorial traz uma referência concreta, seja uma marca, um modelo, uma linha ou ao menos uma classe técnica clara, e a expressão ou equivalente costuma exigir aprovação prévia da troca.

Guarde o memorial e use-o como lista de conferência ao longo da obra. Quando o material chega ao canteiro, confronte a embalagem com a especificação. Trocar o que foi descrito por algo mais barato sem combinar antes é justamente o que o documento existe para impedir.

Perguntas frequentes Memorial descritivo e planta são a mesma coisa? Não. A planta mostra forma, posição e medida; o memorial descreve o material e o padrão de cada elemento. Um completa o outro, e os dois devem ser lidos juntos.

O que faço se o material entregue for diferente do memorial? Registre com foto, aponte o item no documento e cobre a correção do responsável pela obra. Como o memorial costuma ter peso contratual, ele é a sua base para exigir o combinado.

Toda obra precisa de memorial descritivo? É altamente recomendável em qualquer obra contratada, e órgãos e financiamentos costumam exigi-lo. Sem ele, fica difícil comparar orçamentos e cobrar o padrão prometido.

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