Conflito de Interesses: Fundos de PE Elevam Risco em Obras
Advogado aponta que desenvolvedores ligados a fundos de investimento podem priorizar construtoras afiliadas, comprometendo preço e qualidade de projetos.

A crescente atuação de fundos de private equity (PE) na aquisição de construtoras tem gerado um novo tipo de conflito de interesses no setor, elevando o risco em projetos de engenharia e infraestrutura. Quando um desenvolvedor de projetos tem uma relação de afiliação com a construtora, ambos sob o guarda-chuva do mesmo fundo de investimento, a transparência e a competitividade na seleção de fornecedores podem ser comprometidas.
Um advogado especializado em construção aponta que, nestes cenários, o desenvolvedor pode ser incentivado a favorecer sua construtora afiliada. Tal preferência pode ocorrer mesmo que outros contratados no mercado apresentem propostas com preços mais vantajosos ou garantam maior qualidade técnica para a execução da obra.
Este alinhamento de interesses entre desenvolvedor e construtora, impulsionado pela mesma estrutura de capital, tem o potencial de distorcer a livre concorrência. A seleção de parceiros deixa de ser pautada exclusivamente pela relação custo-benefício e pela capacidade técnica, passando a considerar a maximização de lucros dentro do portfólio do fundo.
As consequências diretas recaem sobre o projeto. A priorização de uma construtora afiliada, sem a devida competição, pode levar a um aumento nos custos finais da obra ou a uma redução na qualidade dos materiais e serviços empregados. Em ambos os casos, a viabilidade e a longevidade da infraestrutura são postas em xeque.
Para os gestores e decisores de infraestrutura, essa dinâmica exige atenção redobrada nos processos de due diligence e na análise das estruturas societárias dos parceiros. A ausência de uma avaliação independente e rigorosa pode expor os projetos a riscos financeiros e operacionais desnecessários.
Profissionais da engenharia devem estar cientes de que a pressão por eficiência pode ser direcionada para dentro do grupo, o que nem sempre se traduz na solução mais otimizada para o empreendimento. A busca por alternativas e a validação técnica de propostas tornam-se ainda mais cruciais para garantir a integridade do projeto.
A longo prazo, a prevalência de tais arranjos pode impactar a inovação e a competitividade do mercado de construção. Empresas que não fazem parte desses conglomerados de private equity podem encontrar barreiras adicionais para acessar grandes projetos, limitando a diversidade de expertises e soluções disponíveis. A transparência nos processos de contratação e a exigência de avaliações técnicas imparciais são essenciais para mitigar estes riscos e assegurar a qualidade das obras.
Com informações de Construction Dive.
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