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Energia· 16 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Seca histórica no rio Danúbio força desligamento de usina nuclear

Níveis recordes de baixa nas águas do rio Danúbio obrigam a Romênia a paralisar unidade da usina de Cernavoda, enquanto a Hungria adota medidas emergenciais em Paks.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Seca histórica no rio Danúbio força desligamento de usina nuclear

A Romênia desativou a segunda unidade da usina nuclear de Cernavoda após atingir níveis recordes de baixa nas águas do rio Danúbio. A operadora Nuclearelectrica confirmou que o desligamento da unidade 1 e sua desconexão do Sistema Energético Nacional ocorreram em 28, motivados pela escassez hídrica que compromete a captação de água para resfriamento dos reatores.

Enquanto a Romênia optou pela interrupção temporária da geração para garantir a segurança operacional, o governo da Hungria adotou uma estratégia diferente. As autoridades húngaras anunciaram medidas regulatórias e operacionais específicas para permitir que a usina nuclear de Paks continue operando em meio à mesma crise hidrológica.

O rio Danúbio é a principal fonte hídrica para a refrigeração de grandes complexos industriais e energéticos na Europa Central e Oriental. A escassez prolongada de chuvas e as altas temperaturas reduzem a vazão do rio, impondo limites rigorosos à operação de usinas termoelétricas e nucleares que dependem da captação contínua para dissipar o calor.

A operação de usinas nucleares exige volumes massivos de água para seus condensadores e sistemas de segurança. Quando a temperatura da água de captação sobe ou o volume disponível cai abaixo dos patamares de projeto, as operadoras são obrigadas a reduzir a potência ou paralisar os reatores para evitar danos estruturais e falhas nos circuitos de refrigeração.

O episódio evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura energética tradicional frente aos eventos climáticos extremos e às oscilações severas nos regimes de bacias hidrográficas. Gestores de infraestrutura e operadores de rede enfrentam o desafio de redimensionar planos de contingência para períodos de seca prolongada.

Para o setor de engenharia e geração de energia, a crise no Danúbio reforça a urgência de repensar projetos de captação, recirculação e resfriamento em empreendimentos localizados em regiões com histórico de estresse hídrico. A adaptação de plantas existentes e o projeto de novas unidades exigem margens de segurança ainda mais robustas contra a escassez de água.

Com informações de Petronoticias.

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