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Energia· 22 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Data center no Paraguai pode consumir energia de Itaipu

Novo empreendimento americano com operação prevista para 2027 pode exigir 280 MW e alterar a divisão de energia da hidrelétrica binacional.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Data center no Paraguai pode consumir energia de Itaipu

O Paraguai pode zerar o excedente de energia que destina ao Brasil na hidrelétrica binacional de Itaipu por causa da chegada de novos centros de processamento de dados. A expansão do consumo interno paraguaio já vinha reduzindo a sobra de eletricidade enviada ao lado brasileiro, mas o cenário deve mudar de patamar com um projeto anunciado nesta semana pelo governo dos Estados Unidos.

O empreendimento tecnológico tem previsão de entrada em operação para o ano de 2027 e uma demanda projetada de até 280 MW. Para a infraestrutura elétrica da região, a carga representa um salto expressivo na exigência de suprimento contínuo e estável, o que pressiona a matriz energética e a capacidade de atendimento local.

A hidrelétrica de Itaipu, operada em conjunto por Brasil e Paraguai, divide a sua produção igualmente entre os dois países. Historicamente, o Paraguai consome apenas uma fração da sua cota e comercializa o excedente com o sistema elétrico brasileiro. Com a atração de indústrias eletrointensivas e data centers atraídos por tarifas competitivas, essa dinâmica vem se estreitando ano a ano.

A instalação de estruturas de grande porte para computação em nuvem e inteligência artificial exige fornecimento ininterrupto de energia em alta escala. O projeto americano coloca pressão direta sobre os recursos energéticos paraguaios e redefine o planejamento estratégico do setor elétrico na fronteira.

Novos rumos para a infraestrutura

A absorção de uma carga de 280 MW por um único polo consumidor obriga gestores e operadores do setor a revisarem projeções de expansão de rede e segurança de suprimento. Para quem atua na área de engenharia e planejamento de infraestrutura, o avanço desse tipo de instalação industrial exige reforços estruturais na transmissão e novas subestações na região.

A concretização do cronograma até 2027 exigirá rápida adaptação das redes de distribuição locais para suportar a nova demanda sem comprometer a estabilidade do sistema binacional. O ritmo dos investimentos em infraestrutura de suporte ditará a viabilidade técnica de projetos semelhantes na região nos próximos anos.

Com informações de MegaWhat.

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