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Energia· 31 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Etanol de milho mira 22 bi de litros e exige biomassa e eucalipto

Projeções apontam salto na produção de etanol de milho para 2030, mas o setor precisará de 51,2 milhões de toneladas de grãos e novas áreas de biomassa.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Etanol de milho mira 22 bi de litros e exige biomassa e eucalipto

A expansão do etanol de milho no Brasil projeta alcançar a marca de 22 bilhões de litros até a safra 2030 e 2031. Bancos e analistas do setor financeiro indicam que o crescimento é consistente, mas esbarra em um insumo essencial para a operação industrial das usinas que muitas vezes fica fora do debate principal.

Para sustentar este volume de produção, as plantas industriais precisarão processar 51,2 milhões de toneladas de grãos. O cálculo revela que o desafio logístico e de suprimento não se resume apenas à disponibilidade da matéria-prima agrícola no mercado interno.

Além do milho, a operação das usinas exige uma quantidade expressiva de madeira e biomassa para alimentar as caldeiras que geram energia e vapor no processo produtivo. A demanda contínua por calor na destilação e na secagem dos subprodutos cria uma pressão paralela sobre os recursos florestais.

No estado de Mato Grosso, que concentra grande parte da capacidade produtiva e dos novos projetos, a expansão da indústria pode exigir a abertura de novas áreas dedicadas ao cultivo de eucalipto. A silvicultura comercial passa a ser um elo estratégico na cadeia de suprimentos energética da agroindústria.

Impacto para o setor

Para engenheiros e gestores que projetam e operam novas plantas, o planejamento energético deixa de focar apenas no aproveitamento do grão e do farelo de alta proteína. A garantia de contratos de longo prazo para fornecimento de biomassa ou o investimento em florestas energéticas próprias entram no cálculo de viabilidade econômica e de licenciamento ambiental de qualquer projeto industrial no setor.

O avanço dessas usinas exige que o dimensionamento térmico e o suprimento florestal caminhem lado a lado com a expansão da capacidade de moagem de grãos. O sucesso operacional na próxima década dependerá tanto da eficiência na moagem quanto da segurança no abastecimento das caldeiras.

Com informações de Click Petróleo e Gás.

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