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Energia· 31 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Geradores pedem à Aneel fim de punição por corte de energia

Empresas de energia solar e eólica querem que reduções de geração determinadas pelo ONS não sejam computadas como déficit contratual.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Geradores pedem à Aneel fim de punição por corte de energia

Geradores de fontes renováveis apresentaram um pedido formal à Agência Nacional de Energia Elétrica para alterar as regras relativas aos cortes de geração, conhecidos como curtailment, determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico por razões energéticas. A demanda busca impedir que essas interrupções na produção sejam contabilizadas como déficit de geração e descumprimento de obrigações nos Contratos de Energia de Reserva. Pelas normativas vigentes, a incapacidade de entregar o volume contratado devido a restrições sistêmicas pode resultar em penalidades financeiras e contratuais severas para os parques geradores.

O avanço da capacidade instalada de fontes intermitentes no sistema elétrico brasileiro elevou a frequência de ordens de corte para garantir a segurança operacional da rede, especialmente em horários de alta produção e baixa demanda. Como os empreendimentos não conseguem escoar a energia produzida por limitações de transmissão ou excesso de oferta pontual, os geradores acabam arcando com o risco comercial decorrente de uma decisão operacional que escapa ao seu controle. O setor argumenta que a penalização por déficit em um cenário de restrição imposta pelo operador gera desequilíbrios financeiros expressivos.

Impacto nos contratos

A discussão ganha relevância na estratégia de planejamento e financiamento de novos projetos de infraestrutura de energia, visto que a imprevisibilidade regulatória afeta a bancabilidade das plantas. Gestores e investidores do setor elétrico acompanham a análise da Aneel para mensurar a exposição ao risco de receita em contratos de longo prazo. A definição da agência reguladora estabelecerá o grau de segurança jurídica para a expansão da matriz renovável nos próximos anos, definindo quem absorve o custo financeiro das restrições de despacho.

Caso o pleito seja aceito, o setor de geração eólica e solar terá um alívio financeiro expressivo em momentos de sobrecarga ou restrição de escoamento na rede de transmissão. Por outro lado, a rejeição do pedido mantém a pressão sobre o fluxo de caixa das empresas, que continuam expostas a penalidades contratuais mesmo quando estão tecnicamente preparadas para gerar energia, mas são impedidas pelo operador do sistema.

Com informações de MegaWhat.

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