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Infraestrutura· 01 de agosto de 2026· 2 min de leitura

O que é uma barragem de rejeitos e por que o método de alteamento importa

Barragem de rejeitos armazena o resíduo da mineração; o método de alteamento, sobretudo o a montante, é o que determina boa parte do risco de ruptura.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
O que é uma barragem de rejeitos e por que o método de alteamento importa

Barragem de rejeitos é a estrutura que armazena os rejeitos da mineração, o material pastoso, misturado com água, que sobra depois que o minério de valor é extraído. Diferente de uma barragem de água, que guarda um recurso, a de rejeitos contém um passivo, e é por isso que a segurança dela é tema tão sensível no Brasil depois das rupturas de Mariana e Brumadinho.

O que muita gente não sabe é que o risco de uma barragem de rejeitos está muito ligado a como ela foi construída ao longo do tempo, ou seja, ao método de alteamento.

A barragem de rejeitos não é feita de uma vez. Ela vai sendo alteada, elevada em etapas, à medida que o volume de rejeito aumenta. Existem três métodos principais, e a diferença entre eles é central.

No alteamento a jusante, cada nova etapa é construída para o lado de fora, apoiada em terreno firme, o que dá mais estabilidade. No de linha de centro, o crescimento é vertical. No alteamento a montante, o mais barato e rápido, cada etapa se apoia sobre o próprio rejeito depositado antes, que é um material fraco e saturado. É esse método, o a montante, que está associado às rupturas mais graves.

Por que o monitoramento é vital

Uma barragem de rejeitos, sobretudo a montante, não é uma estrutura estática que se constrói e se esquece. O rejeito saturado pode perder resistência de forma súbita, num fenômeno de liquefação, e romper sem aviso visível a olho nu. Por isso o monitoramento geotécnico contínuo, com instrumentação que mede pressão da água, deslocamento e nível, é o que permite enxergar o risco antes do colapso.

Depois das tragédias, o Brasil endureceu a regulação, incluindo a proibição e o descomissionamento de barragens a montante. A lição de engenharia é dura e clara: economizar no método de contenção de um passivo perigoso transfere o custo para o pior momento possível.

Perguntas frequentes

Por que o alteamento a montante é mais perigoso?

Porque cada etapa se apoia sobre o rejeito já depositado, um material fraco e saturado de água, em vez de terreno firme. Isso torna a estrutura mais suscetível a perda de resistência e ruptura.

Barragem de rejeitos é o mesmo que barragem de água?

Não. A de água guarda um recurso e é feita para isso. A de rejeitos contém o resíduo da mineração, um passivo, e seu comportamento depende do rejeito depositado, que pode liquefazer.

O que é liquefação de rejeitos?

É a perda súbita de resistência de um material saturado, que passa a se comportar como líquido. É um dos mecanismos por trás de rupturas rápidas e sem aviso visível.

O Brasil ainda constrói barragem a montante?

A regulação passou a proibir o método a montante e a exigir o descomissionamento das existentes, justamente por ser o mais associado a tragédias. A tendência é métodos mais seguros e mais monitoramento.

Com informações de Giro Engenharia.

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