Selic recua a 14,25%, mas CBIC alerta: juros ainda freiam a construção
Com a terceira queda consecutiva da Selic, que agora está em 14,25% ao ano, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vê um avanço, mas mantém o alerta sobre o impacto dos juros no setor, que ainda enfrenta desafios.

A taxa Selic caiu para 14,25% ao ano. É o terceiro corte consecutivo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma decisão que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou positiva. No entanto, a entidade já avisou: os juros, mesmo em queda, continuam a impor desafios à construção civil, conforme comunicado nesta quarta-feira.
Antes em 14,50% ao ano, a taxa básica de juros retorna a um patamar que, curiosamente, foi observado em maio de 2025, segundo dados da própria CBIC. O corte ocorre em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas globais e pela persistente pressão inflacionária no Brasil.
Para Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, a decisão do Copom representa um avanço. Contudo, ela ressalta que o nível atual dos juros permanece como um obstáculo significativo para o setor. Taxas elevadas encarecem o crédito e, por consequência, desestimulam novos investimentos em projetos de construção.
A indústria da construção sente o peso dos juros altos diretamente no financiamento de obras de infraestrutura e empreendimentos imobiliários. Construtoras e incorporadoras lidam com custos de capital mais elevados, fator que pode retardar o lançamento de novos projetos e a expansão de suas operações.
No outro lado da cadeia, o consumidor final também é afetado. As condições de financiamento imobiliário se tornam menos atraentes, impactando a demanda por novas unidades e a velocidade de vendas no mercado de imóveis.
Profissionais da engenharia e gestores da construção precisam continuar monitorando de perto as decisões de política monetária. Embora novas reduções da Selic possam, de fato, aliviar as condições de crédito, a prudência ainda é essencial no planejamento financeiro e na execução de projetos. A CBIC insiste que o patamar atual ainda é elevado para garantir a plena recuperação e o crescimento do setor.
Com informações de Caderno de Negócios CBIC.
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