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Construção· 05 de novembro de 2026· 2 min de leitura

Túnel de 57 km cruza os Alpes a 2.300 m de profundidade

Maior túnel ferroviário do mundo exigiu a escavação de 28,2 milhões de toneladas de rocha na Suíça.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Túnel de 57 km cruza os Alpes a 2.300 m de profundidade

O Túnel de Base do Gotardo, na Suíça, consolida um dos maiores marcos da engenharia subterrânea mundial ao conectar o norte e o sul da Europa através de uma extensão de 57 quilômetros. A estrutura ferroviária opera a uma profundidade que chega a 2.300 metros sob a cordilheira dos Alpes, exigindo soluções complexas de projeto para vencer as pressões geológicas e garantir a segurança estrutural a longo prazo. A execução da obra demandou a retirada de 28,2 milhões de toneladas de material rochoso, movimentado por meio de gigantescas máquinas perfuradoras e sistemas logísticos subterrâneos.

A magnitude do projeto exigiu a abertura de duas galerias monotrilho independentes, interligadas por passagens transversais a cada 325 metros para garantir rotas de evacuação e manutenção. A geologia variada dos Alpes impôs desafios severos aos engenheiros, que enfrentaram desde rochas duras até zonas de falla altamente fraturadas, exigindo o uso simultâneo de métodos de escavação mecânica e detonação controlada, além de dezenas de milhares de toneladas de concreto projetado e tirantes de ancoragem.

Desafios logísticos e térmicos

Além da estabilidade estrutural em grandes profundidades, a equipe de engenharia lidou com temperaturas internas da rocha que alcançavam até 46 graus Celsius nas zonas mais profundas. Para viabilizar o trabalho das equipes e a operação dos equipamentos no subsolo, os projetistas implantaram um sistema complexo de ventilação de alta capacidade, capaz de injetar ar fresco continuamente e resfriar as frentes de trabalho ao longo de todo o traçado ferroviário.

A operação do megatúnel altera drasticamente a logística de transporte de cargas e passageiros no continente europeu, reduzindo o tempo de viagem entre Zurique e Milão em cerca de uma hora. Para quem projeta e executa grandes obras de infraestrutura, o empreendimento serve como referência internacional na aplicação de geotecnia avançada, gestão de riscos em maciços rochosos e automação de sistemas ferroviários de alta velocidade.

Com informações de Midiamax.

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