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Energia· 19 de setembro de 2026· 3 min de leitura

Como dimensionar o eletroduto pela quantidade de fios

O eletroduto é dimensionado pela taxa de ocupação: a área somada dos fios não pode passar do limite da norma sobre a área interna do tubo.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Como dimensionar o eletroduto pela quantidade de fios

O diâmetro do eletroduto é escolhido para que os fios ocupem só uma parte do espaço interno, deixando folga para dissipar calor e para passar e repuxar os condutores. A norma limita a taxa de ocupação do eletroduto, que é a área somada dos fios dividida pela área interna do tubo. Você calcula a área que os condutores ocupam, aplica o limite de ocupação e escolhe o eletroduto comercial que atende.

Por que sobra espaço de propósito

Encher o eletroduto de fio parece econômico, mas cria dois problemas. Condutores muito apertados esquentam, porque o calor não tem por onde sair, e isso reduz a capacidade de condução de todos eles. Além disso, cabo espremido não desliza; passar ou trocar um fio depois vira uma briga, com risco de danificar o isolamento no repuxo.

Por isso a norma fixa uma taxa máxima de ocupação, que muda conforme a quantidade de condutores dentro do tubo. Com um único fio permite-se uma ocupação maior; com dois, e com três ou mais, o limite cai, justamente para garantir folga de manuseio e de ventilação. O restante da seção fica vazio de propósito.

Como fazer a conta

Levante quantos fios passam pelo trecho e a seção de cada um, já com o isolamento, porque o que ocupa espaço é o cabo inteiro, não só o cobre. Some as áreas externas de todos os condutores do trecho. Essa é a área ocupada.

Divida a área ocupada pela taxa de ocupação permitida para aquela quantidade de fios, e você obtém a área interna mínima que o eletroduto precisa ter. Com essa área, entre na tabela do fabricante e escolha o eletroduto comercial cujo diâmetro interno oferece pelo menos essa área livre. Como exemplo do raciocínio, um trecho com vários cabos grossos exige um eletroduto de diâmetro bem maior do que um trecho com dois fios finos, mesmo que ambos liguem o mesmo quadro. Os valores de taxa de ocupação e as áreas dos condutores estão na norma e nos catálogos, que você deve consultar na versão vigente.

O que mais influencia

O trajeto conta tanto quanto o número de fios. Curvas e caixas de passagem ajudam a repuxar os cabos, e trechos longos com muitas curvas pedem folga extra ou caixas intermediárias, senão a passagem trava. A norma limita quantas curvas um trecho pode ter entre duas caixas, justamente para o cabo não emperrar.

Pense no futuro da instalação. Deixar uma folga um pouco maior do que o mínimo facilita acrescentar um circuito depois sem quebrar parede. Muita gente dimensiona no limite e se arrepende na primeira ampliação. O número e a seção dos fios definem o mínimo; o traçado e a reserva para ampliação definem se você adota o mínimo ou sobe um tamanho, então planeje pensando na manutenção.

Perguntas frequentes

Por que não posso encher o eletroduto de fios?

Porque cabos apertados esquentam e reduzem a capacidade de condução, e ainda ficam difíceis de passar ou trocar. A norma limita a taxa de ocupação para garantir folga de ventilação e de manuseio, então parte da seção do tubo precisa ficar livre.

A quantidade de fios muda o limite de ocupação?

Muda. Com um único condutor admite-se ocupar mais o tubo; com dois e com três ou mais, o limite permitido cai. Por isso a mesma área de cabos pode exigir eletrodutos diferentes conforme o número de fios no trecho.

O comprimento e as curvas do trajeto importam?

Sim. Trechos longos e com muitas curvas dificultam repuxar o cabo, então a norma limita as curvas entre caixas e o projeto prevê caixas de passagem. Em traçados complicados, convém uma folga maior de ocupação para a instalação não travar.

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