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Construção· 17 de setembro de 2026· 3 min de leitura

Disjuntores: correntes nominais comerciais e como escolher a certa

A corrente nominal do disjuntor tem que ficar acima da corrente do circuito e abaixo da capacidade do cabo.

Por Rafael Barcelar· Engenheiro (CREA-MG)
Disjuntores: correntes nominais comerciais e como escolher a certa

O disjuntor protege o circuito contra sobrecarga e curto-circuito, e a sua corrente nominal precisa ficar coordenada com o condutor: nem tão baixa que desarme à toa, nem tão alta que deixe o cabo esquentar sem proteger. As correntes nominais dos disjuntores seguem uma escala comercial padronizada. Este guia lista os valores comuns e explica a regra de coordenação com o cabo.

As correntes nominais comerciais

Os disjuntores termomagnéticos de uso residencial e predial têm correntes nominais em degraus padronizados. Os valores mais comuns são 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50 e 63 amperes, seguindo para correntes maiores em quadros de maior porte. Essa escala é estável e facilita a escolha, mas o valor certo depende do circuito e do cabo que ele protege.

Além da corrente nominal, o disjuntor tem uma curva de disparo, que descreve a rapidez com que ele atua ao surgir uma sobrecorrente. Circuitos com motores e cargas que dão pico na partida pedem curva diferente da de um circuito de iluminação. A curva e a capacidade de interrupção de curto também entram na especificação, não só o valor em amperes.

A regra de coordenação com o cabo

A lógica da proteção é simples de enunciar: a corrente nominal do disjuntor deve ficar acima da corrente de projeto do circuito e abaixo, ou no máximo igual, à capacidade de condução do cabo. Em outras palavras, primeiro o cabo tem que aguentar a corrente do circuito, depois o disjuntor entra para proteger esse cabo antes que ele esquente demais.

Se o disjuntor for maior que o cabo suporta, ele deixa o condutor ultrapassar a temperatura segura sem desarmar, o que é perigoso. Se for muito menor que a carga, desarma no uso normal. Por isso não se escolhe disjuntor pela carga sozinha, e sim pela coordenação com o condutor já dimensionado. A NBR 5410 estabelece as condições dessa coordenação, e você deve confirmá-las na versão vigente.

O erro clássico de trocar só o disjuntor

Quando um disjuntor desarma com frequência, a tentação é trocá-lo por um de corrente maior. Isso só é seguro se o cabo do circuito também suportar a nova corrente. Aumentar o disjuntor sem verificar o cabo transforma o dispositivo de proteção em passageiro: o cabo pode esquentar e nada desarma.

Quando o desarme se repete, o caminho certo é verificar a carga do circuito e a bitola do cabo. Muitas vezes o circuito está sobrecarregado e o caminho é dividir a carga ou refazer o circuito com cabo maior e disjuntor compatível, não simplesmente subir a corrente da proteção.

Perguntas frequentes

Posso trocar um disjuntor de 16 por um de 20 amperes?

Só se o cabo do circuito suportar 20 amperes com folga, considerando o método de instalação. Aumentar o disjuntor sem checar o cabo remove a proteção do condutor. Verifique a bitola antes de subir a corrente nominal.

O que a corrente nominal do disjuntor precisa respeitar?

Ela deve ficar acima da corrente de projeto do circuito e não ultrapassar a capacidade de condução do cabo. Essa faixa é a coordenação entre proteção e condutor, definida nas condições da NBR 5410 vigente.

Por que meu disjuntor desarma sempre no mesmo horário?

Provavelmente o circuito está sobrecarregado quando muitos aparelhos ligam juntos. O disjuntor está fazendo o trabalho dele. O caminho é redistribuir a carga entre circuitos ou redimensionar o circuito, não forçar um disjuntor maior sobre o mesmo cabo.

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